terça-feira, 27 de julho de 2010

¿Datena, por qué no te callas?

Uma querida amiga minha postou o texto Datena difama MILHARES de brasileiros!! comentando acerca das típicas e infelizes declarações do apresentador sobre ateus.


Não bastasse o datenismo penal (aquelas lições de penalista doxósofo¹ e a defesa de um Direito Penal vingativo) e seu característico discurso völkisch da mídia,  na busca desenfreada pela audiência², Datena nos presenteia com as seguintes declarações, segundo relato do post já mencionado:


"(...) quem comete um crime bárbaro "não tem deus no coração".
Hoje ele colocou uma enquete no ar, para que as pessoas respondessem se são ateus ou não. Disse que quem estava respondendo NÃO, devia estar votando "de dentro das cadeias", reafirmou o que sempre diz, que só "quem não acredita em deus" é capaz de cometer crimes, e muitas outras enormes besteiras."


Poderia usar aqui apenas três simples argumentos: fatos históricos como os milhares de mortes em nome de Deus desde a Inquisição até os dias de hoje; as estatísticas do Censo Prisional (2001) apontam 71.5% (católicos e evangélicos) de crentes; Hitler disse em seu Mein Kampf, no capítulo 2: Mesmo hoje, eu acredito que estou agindo de acordo com a vontade do Todo Poderoso Criador: me defendendo dos Judeus, estou lutando para o trabalho do Senhor.

Talvez alguém retruque: "Os milhões de mortos pelos regimes comunistas ao redor do mundo defendiam o ateísmo". E estará certo.

Esse "toma lá, dá cá" (de nosso lado, veja-se essa postagem do Humor Ateu) não leva absolutamente a nada por um motivo simples: o argumento que pretenda ligar religiosidade/ateísmo a uma causa da criminalidade em geral é falacioso à medida que inexiste a relação de causa-efeito entre os mesmos, ainda que em desfavor dos religiosos pesem os conflitos causados pela religião.

Crimes bárbaros, crimes comuns, guerras, fome, miséria, morte, são causadas pelo ser humano e não se pode  relacionar tal condição à sua crença ou descrença... Vem da própria natureza humana, que é capaz de atos sublimes, mas também de atos bárbaros.

"Aquele que fala daquilo que não conhece prova que conhece, pelo menos, o direito da burrice livre" (Neimar de Barros)
________________________
¹ Técnico-da-opinião-que-se-crê-cientista, segundo conceito de Platão, resgatado por Bourdieu.
² Curioso o uso das enquetes ao vivo. Logo após a notícia de um crime bárbaro, é aberta enquete do tipo "Você a é a favor da pena de morte?" e o "Sim" ganha disparadamente. Esses votantes admitiriam eles próprios ou alguém de sua família sofrerem "pena de morte"? Creio, sinceramente, que não, além de vários outros argumentos que tenho contra tal tipo de pena. Ademais, antigamente as mensagens de celular e hoje os tweets são recheados de mensagens ditas no mais perfeito e puro estilo vindicativo - reflexo, como já dito, das próprias manobras do discurso de vingança que esses programas diseminam.