sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Marisa Lobo, a jurista que não sabe nada de Direito.

No debate do PLC 122/2006, já me deparei com análises de muitos posers de juristas (vejam-seas mentiras do cultuado "defensor da família, moral e dons bons costumes" Julio Severo, as asneiras de Silas Malafaia e do doxósofo Reinaldo Azevedo), não me surpreende que a nova musa da Cruzada contra os LGBTs siga a lição dos anteriores. 


Falo da "psicóloga cristã" @marisa_lobo (falo o "psicóloga cristã" porque ela defende uma "psicologia cristã", seja lá o que isso significa), que deu um show de pérolas, redação digna de um zero e sofrível interpretação textual no post "Estatuto gay, ditadura gay ou 'estado da superioridade gay'"

Antes da análise, uma imagem que vale por mil palavras...

Sim, isso mesmo: Marisa Lobo escreveu um livro sobre mentira (vejam vocês aqui). A pergunta que fica é: Por que Maris Lobo mente? Ao final, teremos a resposta.


1. Os títulos das postagens dos cruzadistas anti-LGBT só choca os desavisados.

2. Ela fala que teve ajuda do advogado Matheus Sathler (que, presumo, seria do Paraná, mas nada consta sobre nos registros da OAB de lá), mas conseguiu uma postagem tão abaixo de qualquer crítica que poderia ter assinado tudo só. Daria no mesmo.

3. Não há um "estatuto gay", há sim um anteprojeto de estatuto da diversidade sexual, que está sendo analisado pelo Conselho Federal da OAB para, posteriormente, ser enviado como para o Congresso Nacional.

Basta ler a íntegra da proposta para ver, sem muito esforço, a quantidade de mentiras que ela faz na postagem - muitas já rebatidas aqui. pela Alessandra Nane.

4.  Comparando o texto dela com o artigo 19 do verdadeiro anteprojeto, o que foi dito não existe por dois simples motivos: 1) a redação e conceitos são dignos de alguém que nunca pisou numa faculdade de Direito; 2) no Ocidente, não existe "união gay pedófila" (casamento se dá entre dois maiores de idade, em regra; e não existe relação entre pedofilia e homossexualidade) e muito menos casamento que não seja monogâmico.


5.  O anteprojeto de estatuto fala que, em caso de nascimento, qualquer dos pais terá direito a 180 dias de licença-natalidade (um deles e não os dois!); ambos têm direito a 15 dias de licença após o nascimento, adoção ou concessão de guarda para adoção, como já hoje prevê projeto de lei que aumenta licença-paternidade para 15 dias (o que ainda é pouco, como esclarece esta matéria linkada).


Marisa Lobo, não há piada ou ditadura, há uma descarada mentira sua, distorcendo a verdade ou interpretando pessimamente todo o texto.


6. A mudança dos campos "pai" e "mãe" para "filiação" (que incluirá casais do mesmo sexo, sem o constrangimento dessa expressão que se quer substituir) não vai exigir que documentos antes da aprovação da lei sejam modificados. E ainda que assim fosse, não há prejuízo.


7. Sobre acompanhamento psicossocial, atendimento por equipe multidisciplinar para aqueles que se submeterão à cirurgias de redefinição sexual, remeto leitura do post da Alessandra Nane, já linkado anteriormente.


8. Particularmente, não me parece correto uma data especial para alistamento militar de transexuais, travestis e intersexuais, mas isso não constitui privilégio algum. Quer evitar o constrangimento e discriminação que LGBTs sofrem nas Forças Armadas e polícias.


9. Sobre ações para discutir diversidade sexual e coibir práticas discriminatórias na escola, basta saber que é uma política adotada nos EUA (ainda timidamente, mesmo tendo recomendação da Associação America de Psicologia), recomendada e utilizada na Europa. É uma medida mais do que óbvia, dados os preocupantes casos de bullying homofóbico no ambiente escolar. 


Quanto às comemorações de datas comemorativas, não é que elas sejam abolidas por "pessoas más invejosas", mas sim trabalhar uma forma  de evitar constrangimentos para filhos de casais homoafetivos, algo que não ocorre quando há respeito por parte dos demais pais e alunos, como no caso da primeira adoção por um casal homoafetivo no Brasil.


10. Alguém que lê que o Poder Público fica obrigado a criar curso de aperfeiçoamento profissional a LGBTs e garantir a estes a igualdade de oportunidades no acesso ao mercado de trabalho e interpreta que o a obrigação é para criar "cotas gays" cursos de prostituição não merece ser refutado, tamanho o absurdo da interpretação.


Ações afirmativas podem sim ser adotadas, dado o fato de que LGBTs (sobretudo os "afeminados" ou "masculinizados", as travestis, transexuais) têm menos chances de conseguir emprego. Afinal, quantas travestis, transexuais você vê trabalhar? Muitos recorrem à prostituição por pura falta de oportunidade de emprego. Na Europa, as Diretrizes orientadoras sobre o tratamento igualitário no trabalho (2000) são claras:


Art. 1º Esta diretiva tem por objetivo estabelecer um quadro para combater a discriminação em razão da religião ou crença, deficiência, idade ou orientação sexual em matéria de emprego e ocupação, para que nos Estados-membros aplicam o princípio da igualdade de tratamento. (grifo nosso)


11. Assim como mulheres, crianças e adolescentes têm locais específicos para cumprir as penalidades da lei quando cometem "crime" por causa de sua condição de vulnerabilidade, LGBTs têm direito a celas separadas, pois são constantes vítimas de estupros coletivos.


12. O que seria uma "abordagem policial gay"? Em vez de pedir que se coloque mãos para o alto, encostar na parede, o policial convida para cantar Y.M.C.A, sob uma chuva de purpurina e empunhando bandeirinhas arco-íris? Não. É apenas para assegurar que os recorrentes abusos nas abordagens não sejam mais cometidos.


13. O anteprojeto não pretendo promover nenhuma "guerra santa" (o que, aliás, só pode ser promovida por religiões contra outras crenças/povos), apenas punir os abusos  da liberdade de expressão e de crença em certos discursos do pastor Silas Malafaia, do deputado Jair Bolsonaro, da deputada Myrian Rios e do senador Magno Malta, embora o texto bíblico fale apenas que é pecado, abominação (numa leitura tradicionalista). 


14. Considerando que o Poder Público está obrigado a oferecer assistência psicossocial por equipe multidisciplinar, é óbvio que as crianças precocemente percebidas como transexuais, travestis, intersexuais possam contar com tal apoio para desde logo não enfrentar problemas de autoceitação e formar livremente suas personalidades.


Após nossas críticas, a Marisa Lobo correu para tentar consertar seu sofrível post. O melhor de tudo é que ela copiou os artigos das críticas da Alessandra. Basicamente, refutou a si mesma.


Por que ela mente? O dever cristão de não mentir parece menos importante que a perseguição insana contra a luta encampadas pelos LGBTs em defesa e reconhecimento de seus direitos.


Parafraseando o post dela, finalizo: tenham coragem, de pelo menos ler e analisar o anteprojeto de estatuto da diversidade sexual e ver o absurdo que é a postagem da Marisa Lobo. É uma afronta, uma humilhação, é uma violência à ética, ao mandamento cristão de não mentir e à dignidade humana de LGBTs.

10 comentários:

  1. OBRIGADA POR DIVULGAR MEU LIVRO . RSS

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    1. que dêls tenha piedade desse lobo travestido de cordeiro...shogun rua 12,15 minotauro 23,65

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    2. porque excluiu seu texto do seu blog ?
      é assim que vc. sabe defender suas ideias
      na 1° refutação vc. corre e exclui?

      acha mesmo que todos os que leem são cristãos burros que se deixam levar por suas asneiras?

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Ahhh, Marisa, se alguém comprar seu livro depois de eu detonar seu post é porque, de fato, é muito idiota.

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    1. Thiago, ainda por cima, ela é debochada, hein? parabéns pelo seu trabalho, Thiago. Vou veicular as mentiras apontadas aqui no meu Facebook, ok? E você tem toda a razão, parece que o ódio pelos LGBTTs é maior que o amor cristão.

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  3. mas a fofa retirou o belo argumento dela do blog porque?
    ficou com vergonha?

    pena que eu queria ver mais de perto como uma imbecil escreve

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  4. Por que as pessoas que mais mentem, dizem que não mentem?

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