terça-feira, 30 de julho de 2013

Como seria o mundo com o casamento gay na cabeça dos homofóbicos?

Quando o assunto é o “casamento gay” (casamento civil homoafetivo; casamento igualitário), a quantidade de argumentos absurdos não deixa a desejar para qualquer outro tema referente às demandas de direitos de LGBTs.

Este texto leva às últimas consequências os argumentos contra o casamento gay para que mostrar que eles não podem ser chamados de absurdos porque são o próprio absurdo.

Vamos escolher dois figurões na cruzada contra o casamento gay: o senador Magno Malta, em entrevista ao Portal IG, declarou que a aprovação do projeto de criminalização da homofobia (e, claro, o do casamento gay, por consequência) iria liberar a “pedofilia e a bestialidade” (aqui também); o pastor Silas Malafaia, em audiência pública sobre o projeto de Estatuto das famílias , disse: “Então vamos liberar relações com cachorro, vamos liberar com cadáveres, isso também não é um comportamento?”

Casamento é um contrato. Um contrato importante, com uma (ainda) grande significação social, mas, objetivamente, é um contrato e, como qualquer outro, exige que as partes tenham capacidade para consentir, dentre outras exigências legais. O amor não é critério; o casamento pode até ser puramente por interesse.

Agora, convido vocês para entrar na cabeça dos homofóbicos e conhecer os efeitos no fantástico mundo onde o casamento gay foi aprovado:

Bestialidade (sexo com animais)



Aprovado o casamento gay, é realmente preocupante a quantidade de animais de carga, animais de estimação, de hipismo, de circo que vão exigir a assinatura de contrato trabalhista com seus donos. Afinal, se animais podem casar com seres humanos, por que não poderiam exigir carteira de trabalho assinada, férias, 13º salário, FGTS?


Isso sem falar nas ações por danos morais e materiais que os donos sofrerão na Justiça. Os cavalos que trabalham em carroças cobrando indenização pelos maus-tratos e jornada de trabalho exagerada. Os bois de rodeios cobrando indenização. Um verdadeiro caos! Proibindo o casamento gay, evitaremos esse absurdo.

Necrofilia (sexo com cadáveres)

O mais novo casal do famoso seriado?
(Da série The walking dead, AMC)


E, de repente, os zumbis começam a andar sobre a Terra, como na série “The walking dead”. Os zumbis, claro, vão exigir de volta os bens que foram objeto da herança quando morreram. Casamento novo, vida (ou morte?) nova. O mais preocupante aqui são os não-zumbis que pretendam se casar com zumbis: estes, provavelmente, irão devorar as vísceras, cérebro de seu esposo ou esposa na noite de núpcias – se sobrar algum pedaço considerável do corpo depois de o zumbi matar sua fome,  quem sabe viram um casal de zumbis.

Como se vê, mais uma vez fica provado quão perigoso é aprovar o casamento gay. É a própria existência da humanidade como a conhecemos que está em risco.

Pedofilia (atração sexual por crianças abaixo de 12 anos, antes da puberdade ou com primeiros sinais desta)

A pior de todas as consequências, sem dúvida.

Ora, se criança poderá casar, por que seria inválido um contrato de compra e venda de um imóvel que vale R$ 2 milhões e a criança assina e recebe como pagamento pelo imóvel 2 mil caixas de barras de chocolate? Ou imaginem nossas crianças irem à Justiça cobrar que elas possam gastar a mesada com o que bem entenderem e, ainda, exigir correção pelo índice de inflação em cima do valor das mesadas? Pior: crianças comprando revistas pornográficas ou se prostituindo, afinal, se podem casar, têm autonomia para decidir como ganhar e gastar seu dinheiro.

Acorde, Alice! Voltemos à realidade...

Como mostrei, os argumentos dos críticos do casamento igualitário, no que diz respeito a este supostamente abrir portas pra necrofilia, bestialidade e, pedofilia são dignos de pena. Quando analisados a fundo, mostram quão absurdos e ridículos são. Antes de sair por aí criticando o casamento igualitário, ao menos, pense no que está falando.

A Gretchen casou 17 vezes (e não estou aqui a julgando), enquanto isso o estilista Carlos Tufvesson não consegue casar com seu companheiro com quem convive há 17 anos. 

A verdade é que o casamento gay vai ter impacto na vida... do casal – e de seus familiares e amigos. E só. Se palavras não adiantam, fica o desenho:


Quando a gente acha legítimo que o Estado possa proibir as pessoas de expressar sua personalidade, sua identidade sexual e afetividade, enfim, na liberdade de ser quem se é, abrimos portas para que o Estado possa, como mostra a história, se perder em arroubos autoritários e definir e impor um estilo de vida a todos nós. A luta pelo direito de ser quem se é representa um dever de todos que prezem sua autonomia, a liberdade, a igualdade e a democracia.